# Sofistas: Característicos por ensinar Retórica (arte do bem dizer) para os filhos dos aristrocratas atenienses, interessados que estavam em contribuir com as deliberações da Pólis (cidades-estado gregas). Assim, com os discursos formalmente bem construídos capacitavam-se à conquista de seus interesses particulares por persuação nas assembléias.
Alguns Sofistas notáveis:
Protágoras, para quem “o homem é a medida de todas as coisas”; Górgias, Hípias e Trasímaco, para quem “a justiça é a convenção do mais forte”.
· A Filosofia posterior, principalmente graças a Platão, tendeu a desmerecer a imagem dos Sofistas, por não estaresm interessados na verdade essencial, mas tão somente na aparência.
· No entento, é de se notar que foram eles quem principiaram por trazer o tema da Política e da Ética (Moral) para a Filosofia, e portanto a temática do Homem. Nessa medida, contrapunham-se aos pré-socráticos fisicalistas (ou “filósofos da natureza”), que centravam o debate filosófico em torno das cosmogonias, da Arché (princípio) única.
# Sócrates (470-399 a.C.)
A passagem dos Sofistas a Sócrates caracteriza-se pela relação entre os conceitos filosóficos de physis e nomos, que significam, dito de forma simples, respectivamente natureza e lei (ou convenção). Para os Sofistas, não havia relação direta entre os conceitos, o que lhes permitia abordá-los ao bel-prazer, enquanto que para Sócrates interpreta-se que havia uma relação de continuidade entre physis e nomos, donde daí ser possível um agir (prático) justo (justiça em grego se diz Diké) de forma imanente, ou seja, por um vínculo interno, não externo - sem uso da força de um terceiro elemento –, isso pois que a relação entre os conceitos era harmônica.
· Figura histórica de existência controversa, tendo sido citado por contemporâneos seus como Xenofantes e Aristófanes (que lhe opunha idéias e o satirizou numa peça de comédia), mantém sua imagem no entanto preservada entre nós principalmente graças a Platão, que teria sido um dos seus “discipulos” e tornou Sócrates personagem principal da maior parte de seus diálogos.
· Considerado um “divisor de águas” na Filosofia, fundamentalmente por, mesmo alegando que nada sabia, afirmação que pode ser considerada irônica, ainda assim compreendia o homem como fonte para a verdade eterna, imutável, em-si. Sua célebre frase, “só sei que nada sei”, deixa isso explícito.
Obs: reza a lenda que certa vez um contemporâneo de Sócrates foi até o oráculo de Apólo em Délfos e lá teria perguntado à sacerdotiza Pítia quem era o homem mais sábio de Atenas, e ela teria respondido “Sócrates, por que sabe que nada sabe”.
· Sócrates não deixou escritos, tendo comunicado seus “ensinamentos” todos pela oralidade. Platão posteriormente viria a fazer um elogio à oralidade, algo notavel não somente pelo fato de ter escrito principalmente diálogos, assim como pelo lugar reservado em sua Filosofia para a dialética; mas não somente, também porque as aulas ministradas em sua escola, a Academia, com respeito à doutrina do Bem, foram todas transmitidas de forma oral.
è Método socrático: visava a busca do conceito, o que nem sempre é encontrado na forma de respostas definitivas, o que caracteriza a aporia. Em geral interessava-se por questões morais, como “o que é a coragem, a covardia, a piedade, a justiça” etc.
a. Ironia: a palavra em grego significa “perguntar”; fase “destrutiva”; visava desconstruir os falsos saberes que seus interlocutores (em geral sofistas) julgavam/manifestavam ter.
b. Maiêutica: do grego traduz-se por “parto das idéias”; a referência histórica é o fato da mãe de Sócrates ter sido uma parteira. O sentido a que alude tal etapa do método é que Sócrates acreditava que o papel do “sábio” não era afirmar verdade, mas sim ajudar o interlocutor a “dar à luz” a idéias, conhecimentos, que portanto já os possuía consigo. Afinal, também as parteiras não “dão à luz” pelas grávidas, mas apenas lhes auxiliam.
O clássico exemplo da maiêutica socrática está presente no diálogo Menom, de Platão, no qual Sócrates auxilia um escravo a exprimir verdade sobre a geometria euclidiana.
· Sócrates morreu condenado pela democracia ateniense, acusado de ir contra a religião oficial, profanando os deuses (a grécia à época era politeista), e além disso, por corromper a juventude, incitando-os ao auto questionar dos valores instituidos. Morreu tomando um veneno, a Sicuta. Ainda quanto à sua morte, é relevante salientar que teve a possibildiade arquitetada por seus “discípulos” de fugir, mas recusou-se, dizendo “prefiro morrer a sacrificar a Filosofia”, como quem diz que se ele fugisse então iria contra suas próprias idéias, que salientavam o valor da vida pela Pólis.