Aula 7 – Filosofia Medieval
Contextualização histórica: 3 tipos de marcos para o início
e fim da idade média:
1 – geopolítico: queda
de Roma (476 d.C.) e queda de Constantinopla (1453 d.C).
2 – biográfico: nascimento de
Agostinho (354 d.C.) e morte de Guilherme de Ockham (1349 d.C).
3
– religioso: imperador Justiniano fecha as escolas gregas e
São Bento funda primeiro monastério (529 d.C) e início da reforma protestante
(1517 d.C). No período medieval houve o fortalecimento e a dominância da Igreja
Católica em todos os âmbitos da sociedade. Com a dissolução do império grego, a
igreja surge com um papel agregador. Os monges acabam por ser os únicos
letrados nesse período, com a igreja exercendo o monopólio de detentora de todo
o conhecimento. A grande questão desse período se consolidou sendo: como
conciliar a relação entre razão e fé.
Escolas: Patrística e Escolástica
Patrística: a patrística seria a filosofia de forte
influência platônica e cristã que esteve em voga na alta idade média entre os
séculos IV e VIII, a filosofia dos padres (significado de patrística) que teve
como maior expoente Santo Agostinho. Na patrística, se recorre a Platão por
intermédio do neoplatônico Plotino. A manobra por eles realizada foi a de
vincular a filosofia platônica com o pensamento cristão. Santo Agostinho retoma
a dicotomia platônica do mundo sensível do fenomênico em contraste com o mundo
das ideias, das formas. Porém, em sua apropriação, o mundo das ideias seria o
mundo das ideias de Deus, as formas seriam existentes no pensamento de Deus.
Deus partilharia um pouco do seu próprio ser com as coisas, e nos
proporcionaria o conhecimento das verdades eternas pela teoria da iluminação, a
marca divina que nos é impressa dá uma abertura metafísica da alma para o
conhecimento das verdades eternas (modo cristão de tratar da reminiscência).
Assim como na filosofia platônica, não era confiado um alto grau de
confiabilidade nas experiências sensoriais, visto que o conhecimento sensível
era enganador. Os padres pensadores dessa época retomaram o conhecimento da
cultura antiga para adequá-los à doutrina cristã.
Escolástica: Já a escolástica, compreendida entre os séculos XII e XIV na baixa idade
média, com o renascimento urbano que então ocorre traz consigo o surgimento de
diversas universidades, acarretando num cada vez mais crescente gosto pela
razão. Nesse contexto surge ela surge, e tem como seu maior expoente São Tomás
de Aquino, com uma forte influência aristotélica. Aqui os sentidos e o
intelecto passam a ser considerados também como forma de obtenção do conhecimento,
onde se parte das coisas concretas até a apreensão das formas abstratas, do
particular ao universal.
Os árabes: Também presentes no medievo, os árabes apresentavam
grandes avanços científicos em áreas como matemática, medicina e astronomia. Eles
exerceram grande influência no Ocidente visto a grande ocupação que realizaram
na península ibérica. Eles fizeram traduções de Platão, Aristóteles e Plotino,
e também assimilaram diversos elementos da filosofia destes. O primeiro contato
que Tomás de Aquino teve com a filosofia de Aristóteles foi através da tradução
realizada pelos árabes, porém essas traduções eram tidas por terem contornos
demasiadamente panteístas, por terem várias deformações frente o texto original
visto a grande quantidade de traduções que passaram até chegarem ao latim. Os
principais filósofos árabes foram Avicena (que foi um grande médico e
metafísico) e Averróis (conhecido como o comentador, tinha Aristóteles como
exemplar da natureza da perfeição humana)
Santo Agostinho: filósofo com a obra mais extensa do período
medieval, não era europeu, tendo nascido na atual Argélia (era berbere). Foi
maniqueísta por 10 anos, doutrina esta do século II criada por Mani, que via o
corpo como uma prisão física do espírito e acreditava na existência de 2
princípios: um deus bom e um deus mau, sendo este deus mais o criador do
universo físico. Agostinho acreditava que essa filosofia explicaria seus
problemas pessoais relacionados com as tentações carnais. Porém logo depois ele
abandona essa doutrina e passa a revisitar Platão com a perspectiva cristã,
escrevendo como obra magna suas “Confissões”. Questão do tempo: não
existia tempo antes da criação do mundo por Deus, o conceito de tempo surge com
a criação do mundo. A medida do tempo existe a partir da experiência de nossa
própria alma, e a eternidade de Deus não pode ser mensurada, porque o hoje de
Deus é a eternidade. O tempo é dificilmente abarcado por explicações, pois
tende a não ser visto o seu caráter fugidio. Ele possui três divisões, há o
presente do passado (que existe como memória), o presente do presente (que
existe como visão) e o presente do futuro (que existe como esfera). Passado
longo é memória longa do passado, e futuro longo é espera longa do futuro.
Passado e futuro não existem por si sós.
Tomás de Aquino: filósofo expoente da escolástica,
foi o responsável pela síntese do pensamento aristotélico com a doutrina
cristã. Sua obra principal é a Suma Teológica, obra inacabada que foi
requisitada por seus alunos visto a incapacidade destes de ler sua obra por completo.
Com forte influência aristotélica, ele postulou as 5 vias, provas da existência
de Deus, todas trazendo a noção do primeiro motor que cria o movimento
primeiro.
·
A 1ª via é a do movimento, que postula
que tudo que move é movido por outro, e nisso mostra-se preciso ter um primeiro
motor, que seria Deus.
·
A 2ª via é a da causa, partindo da
relação observada entre causa e efeito, mostrando que não se pode existir uma
série infinita de causas, devendo haver uma causa primeira, que seria Deus.
·
A 3ª via é a da contingência, visto que
as coisas podem ou não existir, e já que podem não existir, implica que houve
um tempo em que nada existiu, e para algo ser criado é demandada a existência
de algo necessário que sempre existiu, no caso Deus.
·
A 4ª via é a do finalismo, da
teleologia do cosmo, que implica na existência de uma causa inteligente e
finalizante, que seria Deus.
·
A 5ª via é a dos graus de perfeição,
mostrando que existem vários graus de perfeição, o que implica num grau máximo
de referência que é Deus. Essa prova da existência de Deus se constitui a
posteriori, baseia-se na observação do movimento existente.
Argumento Ontológico de Santo Anselmo: Se constitui como analítico e a priori, pois a existência de Deus
se depreenderia do seu próprio conceito. Deus seria a maior e mais perfeita
coisa que podemos conceber, e já que seria a maior e mais perfeita coisa que
podemos conceber, deve também existir, já que a existência seria um predicado
da perfeição.
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