Advento da Modernidade:
No século XVII, o
momento histórico que sucede a aparente lentidão científica e econômica do
medievo é o advento da modernidade. O capitalismo mercantilista insurgente com
a ordem social burguesa e os avanços científicos em campos como astronomia,
física e matemática trazem um novo paradigma para a filosofia, distanciando-a
da supremacia teológica da filosofia medieval. Fatos como o descobrimento
do novo mundo e as descobertas astronômicas proporcionadas pelo
surgimento da teoria heliocêntrica e do telescópio botaram em xeque os grandes
expoentes do mundo antigo e medieval, mostrando como necessária uma filosofia
que corresponda à nova física. Assim, o problema filosófico por excelência da
filosofia medieval – a metafísica – passa a dividir lugar com o problema do
conhecimento – a epistemologia – que aqui começa a pensar na questão do método
do conhecimento. Aqui a realidade do mundo passa a ser questionada, e o sujeito
ganha lugar nesse papel de questionador do conhecimento. Esse questionamento
sobre a obtenção do conhecimento pelo sujeito deu origem a duas vertentes de
pensamento, o racionalismo e o empirismo. Agora, na filosofia moderna, a
contemplação da ciência enquanto instrumento formal e finalista da teologia dá
lugar a uma ciência que procura investigar a natureza para colocá-la a seu
favor, no desenvolvimento da técnica em prol do desenvolvimento industrial para
a burguesia. Aqui, diferentemente da antiguidade em que éramos submissos à
natureza, é a razão quem tenta submeter e dominar a natureza com a
racionalidade instrumental. A filosofia moderna ainda apresenta várias ligações
com a explicação filosófica da existência de Deus, porém, com o renascimento e
a reforma protestante, a unidade religiosa anteriormente exercida pelo
catolicismo é fragmentada e assim é aberto um espaço de pensamento crítico onde
a razão questiona o dogmatismo, e a pergunta principal da filosofia transmuta
do ser para o conhecer, com o sujeito que conhece ao invés do objeto que é
conhecido, culminando na dita “revolução copernicana” na filosofia com a
crítica da razão pura kantiana e a virada antropocêntrica da sua filosofia.
· A ciência moderna: Uma das principais características da ciência moderna é o valor
primordial que ele dá à observação dos fenômenos, proporcionando o
fortalecimento de uma ciência ativa frente à ciência especulativa que
predominava nos tempos da pura contemplação. Aqui,
os sentidos e a técnica são estabelecidos como meio privilegiado de alcançar o
conhecimento, e a experiência e descrição dos fenômenos é valorizada. Francis
Bacon abre alas para a ciência moderna com seu o experimentalismo e a
preocupação com a questão do método, assim como Galileu (1564 – 1642), tido
como um dos consolidadores da ciência moderna ao relacionar a hipótese copernicana
com as leis da mecânica, calcando a ligação entre física e astronomia. Ele
rompe em diversos aspectos com a física aristotélica, como ao realizar a
descrição quantitativa dos fenômenos e do movimento, pensando em relações e
funções. Seus métodos porém nem sempre são indutivos, já que realiza
experiências mentais e daí tira conclusões de experiências que não poderiam
acontecer de fato no mundo (ex: lei da inércia). Outro fato fundamental para a
consolidação da ciência moderna é a mudança do modelo heliocêntrico de
Copérnico que ressurgem com Kepler e Galileu, que postula que é a Terra que
gira ao redor do Sol e não o contrário, acabando com a ideia de um mundo
fechado, culminando numa “destruição de cosmo e numa geometrização do espaço”.
Isaac Newton “1642-1727) realiza uma síntese dos resultados obtidos por
Galileu, Descartes, Kepler e outros cientistas, e assim foi possibilitado de
elaborar a teoria da gravitação universal, criando um sistema que cobre a
totalidade de um setor da realidade como a conhecemos. A predominância da
ciência na explicação do mundo incorre numa visão mecanicista da natureza, onde
esta acaba por ser vista como uma máquina regida por leis que aí estão para
serem descobertas. Agora, após essa breve explanação sobre o momento científico
da modernidade, passaremos para uma das correntes de pensamento vigentes na
aurora da modernidade: o racionalismo.
· Descartes: René Descartes (1596 – 1650) foi o maior
expoente do racionalismo, tendo influenciado filósofos como Leibniz e Espinosa,
sendo considerado um dos pais da filosofia moderna, além de ter sido um
proeminente matemático. Descartes, como os racionalistas, teve grande
influência platônica e cria que o conhecimento do mundo poderia ser obtido por
intermédio do desenvolvimento das ideias inatas presente em nossa razão. Para
isso, ele estabelece um método que busca uma verdade primeira que seja
indubitável, e assim ele converte a dúvida como seu método. Nas obras “O
Discurso do Método” e “As meditações metafísicas” ele faz uso do artifício da
dúvida hiperbólica, onde ele põe em dúvida todas as coisas que são do senso
comum e que decorrem dos dados dos sentidos, que frequentemente nos enganam.
Assim, ele acaba por colocar em suspenso a crença em tudo no mundo e alveja
todos os argumentos de autoridade que postulam o conhecimento das coisas do
mundo, e a única coisa que sobra é o próprio ser que duvida de tudo, conferindo
assim certeza a esse ser dubitante (porém, esse ser que duvida não é corpóreo,
é res cogitans, é espírito), possibilitando um conhecimento que parte de si
mesmo. Assim, cunha a frase cogito, ergo sum – penso, logo existo . Esse ser
que duvida é puro pensamento, já que com a suspensão das coisas dubitáveis o
corpo físico, res extensa, é também suspenso. (argumento do gênio maligno) Após
a certeza do ser pensante, Descartes permanece na busca por ideias claras e
distintas, e aí ele incorre na ideia de Deus que se mostraria como inata, visto
que as ideias que existem em mim se encontram previamente no entendimento e são
causadas ou por mim mesmo ou são efeito de algo, e eu possuo a ideia de
infinito e de perfeição, e como eu não sou perfeito nem infinito, minha ideia
de perfeição e de infinitude provem de algo que é perfeito e infinito. Esse
algo que é perfeito, para ser perfeito deve dispor da qualidade da existência,
ou seja, esse ser perfeito existe e é Deus. Com a noção de Deus restaurada, a
existência das coisas do mundo é reestabelecida, já que Deus é infinitamente
bom e não me enganaria quanto à existência das coisas. Para Descartes, o
espírito é mais fácil de conhecer do que o corpo, já que os sentidos
frequentemente incorrem em engano, porém o espírito é uma certeza. Assim, o
cogito acaba por instaurar um dualismo psicofísico, mostrando o ser humano como
um duplo de substância pensante e substância corpórea, extensa. Essa querela se
postergará por muito tempo ao pensar como o corpo humano é corpóreo e possui
atributos como extensão e massa, e que as atividades do espírito racional como
o conhecer, o refletir, o recordar e o desejar não tem extensão no espaço nem
são submetidos às leis físicas.
· Método Cartesiano: o método, questão crucial na filosofia
moderna, foi pensado por Descartes na obra “O discurso do método”, em que ele
propõe a utilização de um método dividido em 4 partes que possibilitaria a
ascensão a um conhecimento de ideias claras e distintas. Essas 4 partes são: 1
– jamais ter uma coisa por totalmente verdadeira sem eu a conhecê-la
evidentemente como tal; 2 – dividir as dificuldades, para ser mais fácil compreendê-las;
3 – conduzir o pensamento do mais simples para o mais complexo; 4 – realizar
enumerações completas e revisões gerais.
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